Por Michelli Machado
Um dia marcado pelo aprendizado sobre compotas, conservas e, acima de tudo, sobre perspectivas de vida e geração de renda. Assim foi o encontro das mulheres do Quilombo Chácara das Rosas, participantes do eixo Alimentar do projeto Educar Crescer, com os alunos do curso de Gastronomia da Unisinos. A atividade, realizada no Campus Porto Alegre, uniu técnica, troca de saberes e empreendedorismo social.






A programação teve início com orientações sobre boas práticas na cozinha, conduzidas pelos estudantes universitários. Na sequência, o grupo colocou a mão na massa para aprender receitas de conservas, compotas, pão de abóbora, brownies e biscoitos — produtos pensados estrategicamente para comercialização. Uma surpresa empolgou as participantes: a logomarca “Cria de Cozinha”, identidade visual idealizada pelas próprias mulheres do Quilombo.
“Hoje a gente veio participar de uma aula sobre conservas e outros preparos, mas o que achei mais interessante foi que, quando chegamos, tinha o nosso logo nos brownies e nos livrinhos. Achei bem legal, porque foi a minha tia Giane quem deu essa ideia do nome ‘Cria de Cozinha’”, relatou a participante Emily Valeska de Lima.



A ação foi fruto de uma integração com a disciplina de Alimentação, Meio Ambiente e Sociedade. Segundo o professor do curso de Gastronomia, Eduardo Leling, a proposta aliou o aprendizado acadêmico às necessidades da comunidade: “Preparamos os alimentos para que elas possam produzir, vender e trazer renda. Esse projeto foi pensado com preparações fáceis, de baixo custo, mas que conseguem trazer bastante retorno para dentro da comunidade”, explicou.
No turno da tarde, o foco se voltou para o fortalecimento pessoal e profissional por meio de uma roda de conversa com a chef de cozinha Ângela Barcelos. Ela compartilhou sua trajetória e ouviu os anseios das integrantes do eixo Alimentar. “Estou muito feliz e honrada de participar desse projeto superimportante com as meninas. Trouxe um pouco da minha experiência e espero ter plantado esperança, questionamentos e um bem-querer para que elas possam entrar na área da gastronomia”, destacou.
Para a coordenadora do eixo Alimentar, Sarah Winck, a vivência vai muito além das panelas, proporcionando uma expansão de horizontes. “É uma experiência muito legal de troca, de novos relacionamentos e ampliação de contatos. É uma oportunidade para que elas saiam do ambiente em que estão acostumadas, visitem um novo espaço e criem possibilidades de articulação”, resumiu.


Ao unir o conhecimento acadêmico com a força e a ancestralidade das mulheres do Quilombo Chácara das Rosas, o eixo Alimentar consolida a gastronomia como uma poderosa ferramenta de transformação. Mais do que ensinar receitas, a iniciativa do projeto Educar Crescer fomenta o empreendedorismo e materializa o protagonismo feminino, reafirmando o compromisso de gerar impacto social real e sustentável nos territórios atendidos.
