Por Luciane Bohrer
A sala de aula da turma M2 da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na escola Erna Würth, em Canoas, tem se transformado em um verdadeiro espaço de acolhimento e novas narrativas. O movimento faz parte de oficinas de leitura e escrita promovidas pela professora Dora Cunha, mestranda em Educação e bolsista do projeto Educar Crescer.


Com um grupo diverso, formado por 25 alunos com idades que variam dos 16 aos 60 anos, a metodologia aposta na potência da troca de saberes entre gerações. A dinâmica de cada encontro é viva e interativa. Dora apresenta à turma um conto, um mito ou uma história, conectando a narrativa a um conceito central. A partir dessa imersão, o espaço se abre para uma roda de conversa e, na sequência, para a criação livre, permitindo que os estudantes expressem o que assimilaram de forma autoral.
Logo na primeira oficina, o tema escolhido foi recomeçar. Em uma roda marcada pela emoção e pela escuta ativa, tanto a professora quanto os alunos compartilharam suas próprias trajetórias de vida. “O tema do nosso primeiro encontro foi ‘recomeçar’. Fizemos uma roda de conversa unindo as histórias deles com a minha. É cada história linda! E dessa troca têm saído produções mais lindas ainda”, conta Dora.


O resultado desse engajamento transparece na qualidade e na sensibilidade dos trabalhos entregues. Em meio a rodas de chimarrão e um ambiente de muita colaboração, os alunos têm produzido materiais lindíssimos que mesclam textos, cores e ilustrações, refletindo sobre temas profundos, como as lições por trás do mito de Narciso e a sabedoria dos ditados populares.
Mais do que o desenvolvimento de habilidades linguísticas, as oficinas reafirmam o propósito do Educar Crescer: mostrar que a educação transforma. Para os alunos da escola Erna Würth, o projeto valida uma certeza diária de que nunca é tarde para aprender, criar e iniciar um novo capítulo.
