Notícias

Projeto Plantar implementa Sistema Agroflorestal na EMEJA Anísio Teixeira em Esteio 

Por Michelli Machado

No último sábado, 9 de maio, o pátio da EMEJA Anísio Teixeira, em Esteio, deixou de ser apenas um espaço de passagem para se tornar um laboratório vivo de sustentabilidade. Através do Projeto Plantar, alunos, professores e a comunidade do entorno colocaram as mãos na terra para a implementação de um Sistema Agroflorestal (SAF), transformando a paisagem escolar em um ecossistema produtivo e diverso. 

A ação marcou a transição crucial do projeto saindo das atividades teóricas para a aplicação prática dos conceitos aprendidos. O projeto, que já vinha sendo debatido com os alunos ao longo do último mês, atingiu seu ápice com o preparo do solo e o plantio coletivo.  

Para o engenheiro agrônomo Jefferson Mota, responsável técnico pela atividade, o engajamento foi a chave para o sucesso desta etapa. “A gente teve dois dias onde todo mundo pegou junto, conseguimos realizar todo o preparo da área, e agora estamos fazendo o plantio, que é meio que a finalização de tudo que a gente já conversou nesse último mês”, destacou. 

A mudança no local foi drástica e, segundo o agrônomo, essa diversidade traz desafios pedagógicos e biológicos. “É muito complexo quando a gente planta dentro da lógica agroflorestal. Antes da intervenção, o pátio contava com uma composição paisagística simples, ipê, cereja ornamental, goiaba e grama. Com a implantação do SAF, o número de espécies saltou de quatro para cerca de 80 variedades”, enfatizou. 

A nova configuração inclui 45 árvores, entre frutíferas, adubadeiras e polinizadoras, espécies nativas, como a palmeira Jussara (o “açaí” da Mata Atlântica), guabiroba, guabiju, araçá, pitanga e jabuticaba, e um pomar diverso com abacate, limão, laranja, bergamota, caqui e pêssego. Além de hortaliças e chás, como couves, acelga, alfaces, alecrim, melissa, capim-limão, e PACs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), como o espinafre da Amazônia e o alho nirá. 

Novos SAFs no cronograma do projeto 

O cronograma de expansão do Projeto Plantar segue em ritmo acelerado, com a previsão de implementar três Sistemas Agroflorestais (SAFs) em escolas de Esteio e Canoas durante o mês de maio, seguidos por uma nova unidade na cooperativa Cooarlas em junho. A metodologia aplicada prioriza a educação ambiental e o reaproveitamento de recursos locais, começando sempre com oficinas teóricas para que a comunidade escolar compreenda a dinâmica regenerativa. 

De acordo com o coordenador do projeto, Victor Valiati, a preparação do terreno é minuciosa e estratégica. “Nós temos um cronograma de implantação que vai seguir sempre a mesma lógica. A gente faz oficinas para que entendam o processo, reconhece o terreno e reaproveita o que tem no espaço. Nos primeiros dias fizemos podas e usamos galhos e folhas para formar os canteiros. Cada canteiro é montado entre o primeiro e o segundo dia com limpeza, adubo orgânico e serragem para manter a umidade. No terceiro dia, acontece o plantio”, explicou. 

O coordenador destacou ainda que o sistema é desenhado para evoluir com o tempo, ou seja, enquanto as hortas ocupam o espaço imediato entre as linhas de árvores para garantir colheitas rápidas, o foco final é a maturidade do pomar. “Em dois anos nós não vamos ter mais as hortas, mas as árvores frutíferas vão começar a produzir”, enfatizou. 

O objetivo principal do projeto vai além da sustentabilidade ambiental, porque olha também para a segurança alimentar. A produção do SAF será destinada ao restaurante da própria escola, garantindo que alunos e funcionários tenham acesso a alimentos frescos e livres de agrotóxicos. 

Embora o plantio tenha sido finalizado, o trabalho está apenas começando. O grupo será acompanhado a cada dois meses para monitorar o desenvolvimento das plantas e sanar dúvidas que surjam no cotidiano da manutenção.   

A opinião de quem coloca a mão na terra 

“Eu estou achando a experiência muito legal, estou aprendendo bastante coisa que eu não conhecia junto com os meus colegas e estou muito feliz por isso, só gratidão!” Elenize dos Santos, bolsista e aluna. 

“É uma experiência bem interessante porque a gente aprende com os colegas, aprende com os outros professores também, e vai aprendendo junto com os alunos. Então é uma troca de experiências mesmo, que acontece na prática, não fica só na teoria. Podemos mexer com a terra, mexer na horta, e isso é bem importante até para a saúde mental. Eles (os alunos) gostam de vir aqui, gostam de praticar, e eu também me sinto muito bem mexendo com a terra”. Diene Cardoso, bolsista e professora.

“A experiência é muito boa, eu estou aprendendo e estou gostando. É uma atividade que trabalha a mente também, então ajuda muito. E é muito bom a horta comunitária pelo momento das plantações e pela integração com colegas que também é muito legal”. Marco Aurélio Motta, aluno e bolsista.  

O mais interessante dessa atividade é ver a união dos colegas. Um ajuda o outro, e eu estou achando bem legal ver isso. Estamos trabalhando, mas também estamos nos divertindo. A gente vai ficar vendo as mudas que nós plantamos e que mais tarde vamos colher e isso é bom. Tudo que vem da terra é coisa boa, tudo o que a gente consegue tirar sem causar dano ao meio ambiente” Klaiton Moreira da Silva. aluno e bolsista. 

“Eu estou achando uma experiência muito boa, até porque eu queria saber mais sobre as plantas, e saber como as coisas funcionam é muito bom. Eu estou gostando bastante que a gente vai poder colher e comer o que a gente está plantando. E a união aqui é muito boa também. Aqui, parece que é a nossa segunda casa, e é muito legal ter essa experiência. Assim, como a gente pode levar essa experiência para outras pessoas que queiram aprender mais sobre as plantas.” Kaiana Eduarda da Rosa, voluntária da comunidade.