Por Michelli Machado
Construir pontes entre o país de origem e o novo lar no Brasil foi o tom da atividade realizada nesta sexta-feira, 2 de outubro, na EMEF Erna Würth, em Canoas. A escola sediou uma oficina do eixo Acolher, do projeto Educar Crescer, reunindo 10 estudantes migrantes do 7º, 8º e 9º ano provenientes das escolas EMEF Odete Freitas, EMEF João Palma da Silva e EMEF Erna Würth. Vindos da Argentina, Haiti e Venezuela, os jovens compartilharam suas trajetórias pessoais e projetaram os caminhos profissionais e de vida que desejam trilhar.


A dinâmica começou com atividades lúdicas de desenho e expressão, em que os participantes puderam contar de onde vêm e como enxergam suas rotinas atuais. A partir desse diagnóstico socioafetivo, a equipe estimulou a reflexão sobre o futuro no Brasil. “A atividade de hoje é uma oficina para os alunos refletirem a respeito do seu futuro aqui no Brasil, que profissões eles querem ter e que tipo de habilidades precisam para isso. A gente inicia com desenhos, com eles explicando de onde vêm e como é sua vida aqui e, a partir daí, começamos a pensar juntos nos seus futuros”, explicou Cristina Dias, estudante de Letras da Unisinos e bolsista do eixo Acolher.
Para quem vivencia o processo de integração em um novo país, o espaço de convivência oferecido pelo projeto representa um marco de identificação. “Eu achei muito legal esse projeto, porque convivemos com outras pessoas imigrantes e podemos nos desenvolver falando com os colegas que também são imigrantes. Acho isso muito importante para a cultura, para conversar e fazer atividades”, relatou a estudante venezuelana Sara Ramirez, que reside no Brasil há quase três anos.



Os reflexos pedagógicos e comportamentais da iniciativa já são percebidos no cotidiano escolar. De acordo com Bruna Martins, preceptora do Acolher na EMEF Erna Würth, o trabalho fortaleceu a autoestima dos alunos. “Esse projeto veio muito a calhar com a proposta da escola, porque temos bastante estudantes migrantes. Aqui, através do projeto, eles criaram uma identidade própria, perderam um pouco daquela vergonha de falar no idioma deles e cresceram dentro da sala de aula. As professoras perceberam muito esse desenvolvimento na avaliação escrita no final de cada trimestre”, destacou.
A parceria também responde a uma demanda expressiva do município, que conta atualmente com cerca de 507 estudantes imigrantes matriculados apenas no Ensino Fundamental da rede municipal, segundo dados levantados pelo Projeto Caminhos Cruzados (SME/Canoas). Representando a Secretaria Municipal de Educação de Canoas, Pedro Martins enfatizou a relevância institucional da ação: “Para nós, enquanto Secretaria Municipal de Educação, é um projeto de muita relevância. Notamos que existe uma necessidade de promover ações de acolhimento desses estudantes nas nossas escolas, então é um projeto que ficamos muito felizes de ter atuando na nossa rede hoje,” enfatizou.



Ao proporcionar um espaço seguro para que estudantes migrantes reconheçam o valor de suas identidades e vislumbrem novas perspectivas profissionais, o eixo Acolher demonstra que a inclusão educacional vai muito além da matrícula escolar. A iniciativa do projeto Educar Crescer reafirma o compromisso de fortalecer a rede pública de ensino de Canoas, transformando a diversidade cultural em potência e garantindo que cada jovem, independentemente de sua origem, encontre na escola o suporte necessário para construir um futuro com dignidade, pertencimento e autonomia.
