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Projeto Acolher promove formação sobre migração, escola e acolhimento 

Por Michelli Machado

Na tarde dessa quarta-feira, 29 de abril, o Projeto Acolher promoveu uma formação para orientadores pedagógicos e gestores escolares do município de Esteio. O encontro, que teve como tema “Entre o local e o global: migração, escola e acolhimento”, aconteceu na EMEJA Anísio Teixeira e reuniu integrantes de 32 escolas do município. 

A atividade iniciou com a equipe do Acolher falando sobre a ação com estudantes migrantes realizada pelo projeto em 2025 nas escolas EMEB Eva Karnal Johann, em Esteio, e EMEF Erna Würth, em Canoas. A coordenadora do Acolher, Graziela Andrighetti, apresentou o Projeto Educar Crescer para os participantes e, na sequência, explicou as ações previstas pelo Acolher e o que já foi realizado, trazendo dados e histórias coletadas durante o curso com estudantes migrantes.  

Segundo Graziela, essa ação iniciou no ano passado, com o encontro de professores para pensarem o tema trazendo a riqueza de quem vive em sala de aula olhando para a potência que acontece nas escolas, com o encontro de línguas. “Temos avançado na perspectiva de pensar que as línguas dos migrantes podem ser potencializadas no compartilhamento e na aprendizagem de todos. Nosso objetivo é que eles também possam olhar o português como uma língua deles, uma língua que não é estrangeira e possam, juntos, seguir fazendo essa coletividade, essa pluralidade que é a escola”, enfatizou a coordenadora do Acolher. 

As bolsistas do projeto, Fabíola Soares, que cursa Pedagogia na Unisinos e acompanhou o grupo de estudantes migrantes na escola de Esteio e Cristina Dias, que cursa Letras Português/Inglês na Unisinos e viveu mesma experiência na escola de Canoas, relataram como foi essa troca de saberes. “A minha experiência mais marcante foi o desenvolvimento pessoal dos alunos. Eles chegaram silenciosos, falando pouco, se sentindo com pouco direito de ocupar um espaço social por conta da barreira linguística. Durante o curso, demos liberdade para eles se comunicarem, ocuparem um espaço e isso mostrou que eles podem, sim, ocupar esse espaço social, mesmo sem necessariamente conseguir escrever um texto naquela língua”, afirmou Cristina. 

Para Fabíola, o mais impactante na experiência foi perceber que a forma dos alunos se verem foi mudando a partir das aulas e o projeto também foi se transformando para acolher as expectativas deles. “Com passar do tempo eles reconheceram que eram especiais, tanto quanto os outros, e a gente foi adaptando o material para que eles se sentissem todos inclusos, tivessem voz e vez, cada um do seu modo”, destacou a graduanda de Pedagogia. 

A assessora de Gestão de Projetos e Tecnologia de Esteio, Isabel Comerlato, participou do encontro e trouxe dados do município que acolhe em suas escolas mais de 250 imigrantes proveniente de diversos países. “Esse é um projeto muito importante para a nossa cidade, porque temos muitos alunos imigrantes e, muitas vezes, não sabemos a melhor forma de recebê-los, de trabalhar com essa criança que já chega trazendo toda uma bagagem. Então, o projeto nos dá esse olhar para que esse aluno possa ser bem acolhido”, enfatizou Isabel. 

Durante a tarde de trocas e aprendizados, os orientadores pedagógicos tiverem a oportunidade de conhecer o projeto e ter acesso a materiais criadores por estudantes migrantes. Divididos em grupos, fizeram uma atividade prática para pensar o tema da migração e do acolhimento nas escolas. Celone Pietroski, gestora da EMEB Ezequiel Nunes Filho, destacou a importância desse projeto de acolhimento dentro do município, que abriga tantos alunos imigrantes. “Esse tema precisa ser trabalhado também com os professores nas escolas, embora a gente vá disseminar, tem um outro peso quando o projeto vai realmente para dentro da escola. Na minha escola os estudantes imigrantes são cubanos e venezuelanos e a gente procura ter esse olhar mais geral com as famílias, não só com o aluno, de tentar acolher, de tentar entender e de chamar para conversar no individual com cada um”, explicou Celone. 

Ao final da tarde, o sentimento compartilhado entre os participantes era de que o acolhimento genuíno exige um olhar humanizado sobre as vivências de cada aluno. A partir desta formação, o Projeto Acolher, junto com rede municipal de Esteio, reafirma seu compromisso em transformar a escola em um espaço de pertencimento e troca cultural. O desafio agora retorna às salas de aula, onde as sementes dessa formação devem florescer em práticas pedagógicas cada vez mais inclusivas, garantindo que a pluralidade de vozes continue sendo a maior riqueza da educação pública local.