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Projeto Alimentar inicia segundo ano de curso profissionalizante  

Por Michelli Machado

O Projeto Alimentar iniciou nesta quarta-feira, 11 de março, o segundo ano do curso profissionalizante em alimentação para mulheres do Quilombo Chácara das Rosas. A atividade teve seu primeiro módulo em 2025, conferindo às participantes o certificado de Confeitaria e Panificação, em 2026, o currículo do curso vai focar em Cozinha Profissional. 

O objetivo geral do projeto é a educação por meio da alimentação. “Entendemos a comida não apenas como uma necessidade básica, mas como um caminho de aprendizado, autonomia e transformação social”, afirma a coordenadora do Projeto Alimentar, Franciele Cardoso. A proposta do curso é criar espaços de diálogo onde as mulheres possam refletir e ampliar conhecimentos sobre nutrição, aproveitamento de alimentos, produção e preparo de refeições saudáveis e acessíveis, e reconhecer o valor cultural e social da alimentação em suas vidas e comunidades. 

A escolha do tema Cozinha Profissional 

De acordo com Franciele, a metodologia usada no curso partiu de quatro etapas pensadas para orientar processos educativos em cozinhas-escolas comunitárias, tendo como meta promover o fortalecimento e a emancipação de mulheres por meio da alimentação, do aprendizado coletivo e da troca de saberes.  

“A proposta é ir além de uma formação técnica sobre culinária, parte do entendimento de que a cozinha pode ser também um espaço pedagógico, de convivência e de construção de autonomia. Ao longo dessas quatro etapas, trabalhamos diferentes dimensões do processo formativo, estimulando a reflexão sobre alimentação, território, cultura alimentar e estratégias de enfrentamento da insegurança alimentar”, explicou. 

Segundo a coordenadora, a definição do tema para o novo módulo surgiu ao priorizar a escuta das participantes e a observação atenta das realidades vividas por elas. “No início do ano passado, realizamos esse processo de escuta e levantamento de informações junto às mulheres envolvidas no projeto, buscando compreender suas demandas, desafios e interesses relacionados à alimentação e ao cotidiano das suas comunidades. Foi justamente a partir desse diagnóstico coletivo que identificamos temas considerados prioritários pelas próprias participantes”, destacou. 

O novo módulo sobre Cozinha Profissional foi construído a partir das necessidades e percepções que emergiram desse processo de escuta das alunas, garantindo que o conteúdo trabalhado fosse alinhado com as realidades e expectativas delas. “A partir do diagnóstico realizado junto às participantes, foi possível perceber um interesse recorrente das mulheres por formações mais voltadas à cozinha profissional. Durante os momentos de escuta e diálogo, muitas delas relataram o desejo de ampliar suas oportunidades de trabalho e de geração de renda”, complementou. 

Um pouco do dia a dia do curso 

Com foco nas inquietações trazidas pelas alunas, surgiu o módulo Cozinha Profissional, uma proposta para proporcionar o desenvolvimento de habilidades culinárias e o contato com técnicas, organização e rotinas que fazem parte do funcionamento de cozinhas profissionais, como de restaurantes, refeitórios e serviços de alimentação. 

A primeira aula trouxe diferentes tipos de cortes: JulienneBatonnet, Brunoise, Chiffonade, Tomate Concassé, além de fundo de vegetais e molhos mãe: Béchamel, Velouté, Tomate, Espanhol, Hollandaise. Para completar a dinâmica, as alunas ainda aprenderam a fazer os pães macio e ciabatta e finalizaram a experiência com a produção de uma Banoffee Pie. 

Rafaely Reggiori, bolsista que acompanha o grupo desde o primeiro módulo do curso, fala do conteúdo geral que será abordado nas aulas. “Nesse semestre a gente vai trabalhar base de cozinha, cortes, molhos base na gastronomia, sopas, cocção de grãos, cocção de proteínas e os tempos de cada proteína. Estamos pensando de fato em base de cozinha profissional, porque a ideia é elas terem dois certificados, um de Confeitaria e outro de Cozinha Profissional”, afirmou. 

Rafaely completa destacando a evolução das meninas na cozinha. “As gurias já chegaram, hoje, super ambientadas, já sabiam onde tudo estava. Elas já têm uma movimentação de cozinha muito boa, de organização, mise en place, por isso, para várias coisas, não precisei lembrá-las, já foram fazendo de forma autônoma, estou orgulhosa, é uma baita evolução”, enfatizou 

Rosângela Lourenço conta que já estava com saudades das aulas e diz o que mais gostou no módulo anterior foi a preparação de pizza. “O que mais gostei de fazer foram as pizzas e os croquetes. Eu aprendi bastante no ano passado e tenho uma boa expectativa para a parte de comida salgada que começa agora. Estou ansiosa para aprender”, afirmou. 

Ionice Pedroso diz que amou o primeiro modulo do curso, que adora doces e que as técnicas aprendidas ajudaram em seu trabalho, principalmente a parte de confeitar, pois faz bolos por encomenda. “Fiz as receitas em casa e deram muito certo, de algumas tirei até foto. Quanto a expectativa para a parte de Cozinha Profissional, estou ansiosa para aprender algum prato novo, que não saiba fazer”, ressaltou. 

Ao avançar para o módulo de Cozinha Profissional, o projeto consolida uma trajetória de aprendizado coletivo iniciada em 2025. A evolução demonstrada pelas alunas e a escuta ativa das suas demandas reforçam a eficácia da metodologia aplicada, que utiliza a alimentação como ferramenta de inclusão social e valorização territorial. O sucesso deste segundo ano marca um passo decisivo para que as mulheres da Chácara das Rosas ampliem suas frentes de atuação profissional, transformando saberes tradicionais e técnicos em novas oportunidades de vida.