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Resistir celebra aprendizado com produção de cinema negro em escolas públicas 

Por Luciane Bohrer

O eixo Resistir alcançou nesta terça-feira, 6 de outubro, um dos seus objetivos mais ambiciosos: a produção autoral de cinema fundamentada no aprendizado de professores e alunos da rede pública de Canoas e Esteio. Após meses desenvolvendo um olhar crítico para a comunicação e construindo as bases para um cinema negro autêntico, foi a vez dos estudantes das escolas Paulo Freire e Erna Würth irem para trás e para frente das câmeras. 

O resultado desse dia de gravação intenso foram quatro curtas-metragens, que agora seguem para a ilha de edição. Todas as produções carregam um peso importante e atual, tratando abertamente do racismo e das mudanças essenciais necessárias na estrutura da nossa sociedade. 

Para Maurício Ferreira, coordenador do eixo Resistir, o momento é de consagração de todo o esforço prévio. “Agora a gente está na etapa principal do nosso projeto, que é a produção dos curtas-metragens feitos pelos alunos e as alunas das escolas do Guajuviras. Eles fizeram roteiros, a gente fez ensaios e hoje estamos gravando”, explica. O coordenador celebra o saldo da ação: “Vemos o engajamento e a percepção deles sobre o cinema e questões raciais, ou seja, estamos atingindo nossos objetivos como eixo Resistir no projeto Educar Crescer.” 

Da teoria à prática: estudantes no comando 

O projeto não se limitou a palestras, mas colocou a “mão na massa”. Thainá Palma, bolsista do Resistir e aluna do CRAV, acompanhou de perto as gravações na EMEF Paulo Freire, em Canoas, e destacou a autonomia dos jovens cineastas com os equipamentos e com a temática. 

“O que eu percebo de evolução deles é que já têm o domínio de câmera de enquadramento. Eles mesmos escreveram os roteiros, que fizeram na fase de laboratório, e estão com o domínio da discussão racial bem consolidado”, relata Thainá. Segundo ela, a dinâmica no set de filmagem surpreendeu. “Eles conseguem se virar nessa parte de revisar o som, revisar a câmera, de dirigir. São muito proativos, participativos, engajados. Eles participaram bastante e trocaram funções entre direção, claquete, além do elenco que estava muito concentrado. Só coisas boas para falar da experiência de hoje.” 

Transformação que ultrapassa as telas 

O impacto das audiovisualidades negras vai muito além da técnica. Ele mexe diretamente com o comportamento, a autoestima e os sonhos dos jovens. Na escola Erna Würth, o projeto começou focado na formação dos professores e logo se expandiu, revelando talentos ocultos. 

A professora Fabiana Velasques não esconde o orgulho de ver seus alunos do 8º e 9º ano assumindo o protagonismo. “Tu percebes nos estudantes uma maior autonomia. Hoje, eles estão mais conscientes do papel deles enquanto estudantes, enquanto pessoas que vão transformar e são também formadores de opinião”, destaca a educadora. 

Para Fabiana, as sementes plantadas já estão germinando também entre os menores. “Esse processo vai influenciar, sim, com certeza, muitos estudantes menores, porque eles (os mais velhos) são vistos dentro da escola como os grandes artistas, pessoas que as crianças se inspiram e querem ser. A gente tem estudantes que já se enxergam como possíveis atores, dubladores, e que sonham com o audiovisual”. 

Com as gravações finalizadas e o material na edição, a comunidade escolar aguarda ansiosamente pelas estreias. Mais do que filmes, as obras são o reflexo de uma juventude que aprendeu que a arte também é uma ferramenta poderosa de resistência e transformação.