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Aula aberta debate Cinema Negro e Formação traz reflexões sobre representatividade 

Por Michelli Machado

Na noite dessa terça-feira, 18 de agosto, aconteceu a Aula Aberta dos cursos de Realização Audiovisual e Pedagogia da Unisinos. O evento contou com a parceria da Petrobras, pelo Educar Crescer, organizado pelo Resistir. As boas-vindas foram dadas por Maurício Ferreira, coordenador do Resistir. “Esse projeto nos mobiliza pelo impacto social que ele provoca, trazendo a temática das audiovisualidades atravessadas pelas relações étnico-raciais”, destacou. 

Luiz Rohden, coordenador do Educar Crescer, apresentou brevemente a iniciativa e afirmou: “Esse é um projeto que tem várias ações e se concentra em Canoas e Esteio. A aula de hoje vai nos ajudar a entender melhor essa temática para construir um país mais justo e democrático”.  

Betina Schuler apresentou o eixo da educação que sustenta uma das bases do programa e cada um dos verbos que compõem o eixo: Alimentar, Escrever, Transformar, Resistir, Trabalhar, Acolher. “Não tem como pensar uma educação democrática sem passar pelo fim do racismo num país tão desigual como o nosso”, enfatizou. 

A voz de quem vive o cinema 

Crystom Afronário, aluno do CRAV, apresentou o curta “Aconteceu à luz da lua” premiado no Festival de Gramado e propôs um debate sobre pertencimento. “Hoje é a primeira vez que o curta está sendo exibido na Universidade. O elenco é 100% da comunidade. A licença poética do filme vem de querer mostrar o que vivi, a minha vivência mesmo, e traz identidade e pertencimento”, ressaltou. 

Fernanda Lomba, cineasta e cofundadora do instituto Nicho 54, foi a palestrante da noite e trouxe reflexões essenciais sobre audiovisual, diversidade e processos formativos. Ela falou sobre sua história, a fundação da Nicho 54 e as dificuldades que encontrou ao longo do caminho. 

“Quando eu me interessei pelo cinema, minha primeira barreira foi econômica. Não era só meu desejo que me movimentava, havia outras coisas a serem levadas em conta. Só com 31 anos eu fundei esse espaço, falando justamente da falta de acesso. A crítica que não dá destaque a alguns temas é um dos grandes elementos do não-acesso”, declarou. 

Fernanda ainda contou que quando começou a pensar sobre cinema começou a pensar também como uma ideia que surge na cabeça de uma pessoa e pode movimentar a economia de um setor. “Precisamos romper fronteiras e internacionalizar nosso espaço no mundo. É extremamente importante olhar para outras experiências não só brasileiras”, reforçou.  

Fernanda acredita que esse debate vem ganhando espaço e representatividade, mas ainda temos um longo caminho pela frente. “Eu sempre digo que a gente precisa nomear as coisas para dizer o que exatamente é racismo, o que é discriminação e o que é alienação, que toca a todos nós. Então, para que essas inquietações, ideias e machucados possam gerar algum tipo de impacto eu tenho estado interessada em nomear e, assim, superar isso”, enfatizou. 

Ao aliar a potência do audiovisual com o debate antirracista e a formação acadêmica, a aula aberta reforçou o papel do cinema como linguagem de transformação social e resgate de identidades. Encontros como este, viabilizados pela parceria entre universidade, projetos sociais e comunidade, mostram que democratizar o acesso às telas e às salas de aula é um passo fundamental não apenas para formar profissionais mais conscientes, mas para construir narrativas plurais que ajudem a desenhar um país mais justo e representativo. Mais de 200 pessoas estiveram presentes ao evento.