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Projeto Trabalhar realiza diagnóstico socioambiental com 200 alunos da rede municipal de Esteio  

Por Michelli Machado

Entender a realidade em que a comunidade está inserida para poder ser agente transformador desse cenário, é assim o Projeto Trabalhar desenvolve sua pesquisa. A ação realizada nessa quinta-feira, 09/04, foi um questionário para “Diagnóstico sobre situação socioambiental de jovens”, com 84 questões sobre Violência escolar; Vulnerabilidade educacional; Capital social e Redes de relações; e Competências socioemocionais.  

Cerca de 200 crianças e adolescentes do quinto ao nono ano, das escolas EMEB Alberto Pasqualini e EMEB Eva Karnal Johann, do município de Esteio, responderam às perguntas. De acordo com o coordenador do projeto, Carlos Gadea, a faixa etária que a iniciativa aborda é de 15 a 29 anos, porém para fazer uma análise mais aprofundada, é necessário entender a visão sobre a realidade de quem está nos anos anteriores. “Hoje, o questionário foi aplicado para crianças e adolescentes de 10 a 15 anos, abordando quatro eixos temáticos, que falam vulnerabilidade relacional e violência escolar. Essas perguntas são uma espécie de diagnóstico para ver, a partir da perspectiva deles, como é que eles enxergam essas questões”, destacou. 

Segundo o professor, paralelamente a isto há dados estatísticos que estão sendo levantados. “A opinião deles é muito importante, por isso, que eu sempre digo para eles que têm que ser sinceros, que têm que ler todas as alternativas. Cada pergunta tem entre quatro ou cinco alternativas. Às vezes as alternativas são muito parecidas, então tem uma sutil diferença um do outro, para que a pessoa justamente pensar e refletir”, enfatizou. 

Para Gadea, o objetivo da ação é realizar um diagnóstico para ver como os alunos enxergam no ambiente escolar. “É importante entender quem são esses jovens com os quais estamos lidando, seus valores e prioridades. Mais adiante, vou aplicar o mesmo questionário para estudantes do EJA e do ensino médio, onde se encontra a faixa etária central do projeto. Mas eu acho importante fazer esta avaliação anterior, porque pode haver muitas coisas diferentes ou iguais, e esse contraste é significativo para as análises posteriores”, afirmou. 

Mateus, de 10 anos, da EMEB Alberto Pasqualini, contou o que achou da experiência com o questionário. “Eu achei interessante e um pouco divertido falar sobre minha vida para outras pessoas. Achei um pouco difícil na hora de responder algumas perguntas, porque não conhecia algumas palavras, mas consegui ir bem”, comentou. Já Sara, de 12 anos, da EMEB Eva Karnal Johann, destacou outra perspectiva da ação. “Eu achei importante termos esse momento porque ajuda os alunos a falarem sobre os problemas em casa e na escola, para que os professores possam conhecer a realidade e ajudar mais”, apontou. 

Para a professora do quinto ano da EMEB Alberto Pasqualini, Eronilda Dermann, esse tipo de ação é essencial para traçar um diagnóstico preciso da situação dos estudantes. “É uma maneira de professores e comunidade, saberem como estão vivendo os nossos alunos. Porque aparentemente é tudo bonitinho, mas as dificuldades aparecem. Quando fazemos um questionário perguntando, as crianças são sinceras e a gente acaba descobrindo mais coisas”, destacou. 

A supervisora da EMEB Eva Karnal Johann, Rosane Pretto, concorda que a pesquisa traz contribuições fundamentais e acrescenta que ela direciona um olhar especial ao eixo da violência escolar. “Estamos localizados numa região de vulnerabilidade, e ao responder as perguntas, os alunos vão se achar, é como se eles estivessem fazendo uma retrospectiva, se eles estivessem olhando para a própria realidade e trazendo memórias para poder responder ao questionário. Acho fundamental porque o tema violência é um tema que a gente vem trabalhando com os alunos e com a comunidade escolar, para diminuir essas questões dentro da escola, não só da violência física, mas também a violência verbal”, reforçou  

Ao sistematizar essas percepções e memórias, o Projeto Trabalhar não apenas coleta dados, mas planta a semente da reflexão crítica em cada aluno. Esse diagnóstico detalhado servirá como base para intervenções mais assertivas e humanas, permitindo que a escola e a comunidade construam, juntas, estratégias eficazes contra a vulnerabilidade e a violência. Ao dar voz aos estudantes e reconhecer suas realidades singulares, a iniciativa reafirma que a transformação social começa pelo acolhimento da verdade de quem vive o território, pavimentando o caminho para um futuro com mais oportunidades e cidadania.