Transformar a realidade de um território exige mais do que investimentos, exige presença, escuta e o compromisso de caminhar junto à comunidade. É sob essa premissa que o Educar Crescer acontece em Esteio e Canoas. Realizado pela Unisinos em parceria com a Petrobras, o projeto é um movimento que, ao longo de três anos, dedicará quase R$ 8,5 milhões para construir uma sociedade onde a justiça socioambiental e os direitos humanos não sejam apenas conceitos, mas práticas do dia a dia.

Ao celebrarmos o primeiro ano dessa jornada, decidimos ir além dos indicadores de gestão para mergulhar na visão de quem conduz o projeto. Apresentamos de forma resumida as opiniões de quem protagoniza, lidera e inspira essas mudanças nas comunidades.
Nesse diálogo, o primeiro ponto de convergência surgiu ao investigarmos a alma do projeto. Refletindo uma síntese das opiniões, o Educar Crescer se manifesta como um organismo vivo, articulando escola, famílias e universidade em uma mesma rede. Por meio do aprendizado prático, o projeto promove segurança alimentar e educação ambiental, fortalecendo o elo essencial entre o humano e a natureza. Os líderes descrevem o Educar Crescer como uma força motriz capaz de desencadear mudanças profundas no território gaúcho, unindo o rigor acadêmico ao impacto social imediato.
Em resumo, o Educar Crescer é definido como um projeto coletivo de transformação que prima pelo estudo e pela participação comunitária para cultivar um desenvolvimento consciente.
Direitos Humanos como Alicerce
Essa identidade, no entanto, não se sustenta apenas em estruturas técnicas; ela é atravessada por um compromisso ético inegociável. Ao serem provocados a refletir sobre os pilares dos Direitos Humanos na iniciativa, os líderes reforçam que este é o ambiente onde tudo floresce.
Para a coordenação, os Direitos Humanos são a espinha dorsal que sustenta cada ação. A iniciativa funciona como um mecanismo de defesa da vida digna, atuando tanto na desconstrução de preconceitos — como o racismo, a xenofobia e o machismo — quanto na promoção da autonomia de populações vulneráveis. Esse compromisso é reafirmado na fala de uma das lideranças:
“O projeto possui várias atividades que contribuem para conscientização e superação dessas discriminações. Como realiza ações que conferem mais dignidade e autonomia às pessoas carentes, ele fomenta a defesa dos direitos humanos”.
Essa atuação se materializa em entregas que garantem o desenvolvimento integral: do direito ao brincar e à ocupação qualificada dos espaços públicos até a segurança alimentar e a educação inclusiva (ODS 4). Através de práticas de letramento, cooperativismo e formação, o projeto oferece as ferramentas para que a comunidade reconheça seus próprios direitos e trilhe caminhos de emancipação.
O Horizonte de 2031
Quando os valores de dignidade e autonomia se consolidam no presente, eles abrem caminho para imaginarmos o amanhã. Ao projetarem a comunidade daqui a cinco anos, os coordenadores compartilham uma visão que vai muito além da infraestrutura: eles enxergam um território que recuperou a sua autoestima.
O sucesso do projeto é imaginado como o despertar de uma comunidade que se olha com mais confiança, gerindo suas próprias iniciativas ambientais e educacionais. Nesse cenário, práticas como a gestão de parques naturalizados deixam de ser novidades para se tornarem hábitos. “Vivenciar uma comunidade mais fortalecida, com maior consciência ambiental, acesso ampliado a alimentos saudáveis e maior integração entre escola e território. Espera-se ver crianças e adolescentes mais protagonistas, famílias mais engajadas e práticas sustentáveis incorporadas ao cotidiano das áreas de entorno do projeto, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento local”, afirma uma das lideranças.
Através de verbos como Plantar, Brincar, Acolher, Escrever, Alimentar, Trabalhar, Transformar e Resistir, O Educar Crescer está escrevendo, coletivamente, um novo capítulo para o desenvolvimento sustentável da região, onde o conhecimento acadêmico da Unisinos e o investimento socioambiental da Petrobras se tornam ferramentas reais de mudança.
