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Migrantes celebram conclusão de curso de português com troca de saberes e tradições  

Por Michelli Machado

O Projeto Acolher teve um semestre bastante intenso com aulas semanais do curso de português como língua de acolhimento nas escolas Eva Karnal Johann, em Esteio, e Erna Würth, em Canoas. As atividades voltadas à familiarização dos migrantes com o português e com os aspectos culturais brasileiros contaram com dez encontros cheios de trocas e aprendizados. 

De acordo com a coordenadora do projeto, Graziela Andrighetti, a aula de encerramento do curso foi marcada por memórias e muita descontração. “Os alunos trouxeram brincadeiras de seus países, finalizando a temática ‘Brincadeiras que nos unem na escola e em qualquer lugar do mundo’ e, depois de apresentarem essas brincadeiras para professores e colegas, compartilharam registros e brincaram de cada uma delas”, destacou a professora. 

O último encontro dos estudantes vindos da Argentina, Colômbia, Cuba, Venezuela e Haiti, teve lanche coletivo, roda de conversar sobre as aulas, entrega das camisetas do Projeto Educar Crescer e compartilhamento de saberes. 

Impactos do projeto  

As aulas trouxeram mais segurança para os alunos na hora de falar o português, aprendizados das tradições brasileiras e valorização de sua própria cultura. Uma das atividades realizadas pelo Projeto Acolher, foi a exposição ‘Uma escola, muitas línguas, muitos países e muitas histórias’, que funcionou como um divisor de águas na vida dos alunos.  

O trabalho possibilitou que os estudantes migrantes pudessem contar para os demais colegas da escola um pouco sobre seus países de origem, costumes e tradições. Eles também puderam destacar o quanto suas histórias se entrelaçam com costumes e língua aprendidos em suas vivências no Brasil.   

Juan, estudante venezuelano de 11 anos, afirmou que o projeto o ajudou, principalmente, a não ter vergonha de falar e ser quem ele é. “Aprendemos a não ter vergonha. É muito bom ter um espaço em que a gente possa ser escutado e respeitado”, enfatizou. 

“Ao migrar trazemos uma riqueza de trocas e aprendizagens, mas esse percurso nem sempre é fácil. Por isso, em uma das aulas, ao escolher qual pergunta que eu iria colocar na exposição da escola, decidi por esta: Você acha certo a xenofobia?”, contou Natália, estudante cubana de 12 anos. 

Entre brincadeiras compartilhadas e diálogos necessários, o Projeto Acolher encerra mais uma etapa transformadora. O sorriso no rosto dos estudantes e a superação da barreira do idioma mostram que, quando há espaço para a escuta e o respeito, as fronteiras deixam de existir e dão lugar a uma convivência rica em trocas e novas histórias. Além disso, o sucesso das atividades e o engajamento da comunidade escolar demonstram a importância de políticas de acolhimento contínuas, que garantam que o aprendizado do português seja o primeiro passo para uma trajetória de cidadania e pertencimento no Brasil.