Por Michelli Machado
Um curso para acolher e integrar pessoas migrantes nas comunidades onde estão inseridas, assim é o curso de português como língua de acolhimento, coordenado pelo projeto Acolher. A iniciativa acontece desde agosto de 2025 e atende crianças e adolescentes, dos municípios de Esteio e Canoas. As aulas são realizadas nas EMEF Eva Karnal Johann e EMEF Erna Würth, nos turnos da manhã e da tarde, impactando 28 estudantes vindos da Argentina, Colômbia, Cuba, Venezuela e Haiti.
Para a preceptora da ação na escola Eva Karnal Johann, Rosane Pretto, tem sido muito importante esse trabalho em conjunto com a Unisinos e a Petrobras no acolhimento dos estudantes estrangeiros. “Para os alunos é fundamental, porque eles não estão só aprendendo a língua portuguesa, mas é um momento em que param para trabalhar as questões do idioma. Não é o português isolado, é o português junto com a questão da cultura brasileira, como é que o país se organiza, como que eles podem se integrar”, afirmou.






Já a preceptora da ação na escola Erna Würth, Brunna Martins, acredita que a principal dificuldade que as escolas que têm alunos de outros países enfrentam é a barreira linguística. “E eu acho que o curso ajudou bastante, não só na questão de alfabetizá-los em português, mas, principalmente, pra eles terem um espaço onde possam se soltar, falar sobre a cultura deles, livremente, abertamente. A gente tem uma menina que notavelmente se soltou mais em sala de aula depois que iniciou o curso, ou seja, essa é uma ação que tem reflexos em outras atividades”, destacou.
Na aula da última terça-feira, 04/11, as turmas estavam organizando os materiais produzidos ao longo dessa jornada de aprendizados para uma exposição, que irá ocorrer nas escolas e em espaços da cidade, através das secretarias de educação dos municípios. “A exposição desses trabalhos tem a função de dar visibilidade para o curso e para os estudantes. Hoje, eles vão organizar os trabalhos, dar um sentido para a exposição. Construir, de alguma maneira, a interatividade entre tudo o que fizeram, para que os que assistam consigam compreender o que foi feito e, ao mesmo tempo, também possam, pela exposição, acolher as crianças que estão na comunidade. Então o que se pretende com a exposição é dar visibilidade para o projeto no nível escolar e, ao mesmo tempo, ampliar o acolhimento, porque as crianças, ao serem protagonistas passam a ter mais oportunidades de se empoderar e ao mesmo tempo de serem acolhidos”, enfatizou, Cristina Gibk, uma das coordenadoras do Projeto Acolher.





Uma das estudantes atendidas pelo curso é Elianny Espana, de 11 anos, que chegou há quatro meses da Venezuela. A menina conta um pouco como está sendo para ela essa oportunidade. “Minha experiência nesse curso é boa. Eu aprendi a melhorar minha pronúncia e estou tendo mais confiança para falar o português. Além disso, as atividades educativas são divertidas, conhecemos pessoas que falam línguas diferentes, como o português, o espanhol e outras línguas. Minha escrita também está melhorando e aprendi algumas palavras novas que eu não conhecia”, contou.
O curso de português como língua de acolhimento transcende a mera instrução linguística, firmando-se como um verdadeiro catalisador de integração e empoderamento para crianças e adolescentes migrantes em Esteio e Canoas. A iniciativa não apenas auxilia na superação da barreira do idioma, mas oferece um espaço seguro para o desenvolvimento cultural e social, refletindo positivamente na autoconfiança e participação em sala de aula.
