Por Michelli Machado
Nessa terça-feira, 24/03, iniciaram as aulas do curso Audiovisualidades Negras: formação de professores, narrativas de si e outras negritudes. A primeira aula aconteceu na escola EMEF Erna Würth, em Canoas. Na ocasião, os alunos tiveram a oportunidade de conhecer mais sobre a vida e carreira de atores, cineastas e roteiristas negros, que marcaram o cinema e a televisão no Brasil e no mundo. O encontro também apresentou o programa do curso e trouxe espaço para debater o tema da negritude em novelas, filmes e comerciais.
De acordo com o coordenador do Projeto Resistir, Maurício Ferreira, o curso tem como objetivo, no primeiro módulo, construir um olhar mais sensível para as relações étnico-raciais a partir das audiovisualidades e, numa segunda etapa, propor a produção de curtas em um laboratório de criação. “A ideia é que eles possam, nas suas práticas cotidianas, trabalhar com as audiovisualidades, implementar pedagogias antirracistas, para a gente construir uma sociedade e uma escola mais justas”, enfatizou.




Para Maurício, a importância dessa temática se dá porque vivemos numa sociedade racista que exclui os sujeitos em virtude da cor da sua pele. “Esse racismo estrutural se apresenta de várias formas na sociedade, nas relações diretas, a partir da literatura, dos jornais, das imagens e, também, do audiovisual, ou seja, vários artefatos culturais são impregnados nessas práticas racistas. Por isso, o olhar que a gente quer desenvolver, junto com os professores, é para que a gente possa ir combatendo isso, desconstruindo essa estrutura que hoje coloca milhares de pessoas num lugar de exclusão no nosso país”, ressaltou.
O professor explica como o curso vai funcionar. “A gente já vai fazer um exercício de análise de alguns shorts, depoimentos e trechos de filmes, além de atividades assíncronas que serão realizadas no Moodle. Ali, a gente vai disponibilizar leituras e filmes, como o documentário ‘A Negação do Brasil’, que traz, em uma perspectiva histórica, como o negro vem sendo representado na teledramaturgia brasileira”, destacou.
Segundo o coordenador do Projeto Resistir, para as atividades práticas, primeiro irão trabalhar com o direcionamento do olhar, com fotografia e enquadramento, e, aos poucos, vão introduzindo exercícios e construindo repertório. “O objetivo é que, ao longo do curso, os alunos possam desenvolver a habilidade de olhar para imagem e construir cinema. A gente também vai introduzir pequenos momentos de roteiro e filmagem, para que possam produzir materiais utilizando os equipamentos que nós temos disponíveis no projeto”, enfatizou.




Construindo um novo olhar nas salas de aula
Doralina da Silva é professora do EJA Cidadão na EMEF Nancy Pansera e está animada com o curso de Audovisualidades Negras. “Eu utilizo bastante a audiovisual com meus alunos, eu acho que a arte consegue sensibilizar mais e chamar para crítica. Minha expectava com o curso é grande, só o fato de ver essa linha de tempo, que a gente viu hoje, com a participação de diretores e roteiristas negros, que eu não conhecia, já me deixou super empolgada. Já estou louca para chegar e contar para os meus alunos”, afirmou.
A diretora da EMEF Paulo Freire, Elizabete Fettuccia, falou do que espera das aulas. “Eu acredito que vai auxiliar o nosso trabalho dentro da escola para trazer essa valorização da cultura, não só afrodescendente como indígena, e para trazer o protagonismo dos alunos e dos professores. Nós já estamos constituindo a comissão da ERER na escola e alguns colegas que estão participando curso, vão participar da comissão. O que a gente quer é trazer esse conhecimento para dentro da escola, para discussão. O nosso grupo pega junto e tenho certeza de que os professores vão dar asas ao que a gente vai aprender aqui”, destacou.
O entusiasmo demonstrado por professores e diretores neste primeiro encontro é apenas o começo de um movimento necessário de ocupação e representatividade. Entre lentes, enquadramentos e debates, o curso de Audiovisualidades Negras se estabelece como uma ferramenta poderosa para possibilitar novos olhares, garantindo que a história e a cultura negra sejam apresentadas nas salas de aulas.
