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Educar Crescer participa da COP30 

Por Michelli Machado

Na última semana, todos os olhares do Brasil e do mundo estiveram voltados para a COP30 (30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática). O evento que aconteceu na cidade de Belém, no Pará, entre os dias 10 e 21 de novembro, marcou um momento ímpar, pois foi a primeira vez que o encontro foi sediado na Amazônia. Essa localização coloca de forma simbólica a floresta tropical, o financiamento climático e a justiça social no centro do debate global.  

Farid Chemale e Luiz Rohden chegando em Belém do Pará

O coordenador geral do Projeto Educar Crescer, professor Luiz Rohden, esteve presente na conferência, junto com o coordenador gerencial, professor Farid Chemale. Os dois acompanharam palestras e debates representando o projeto da Petrobras e Unisinos. De acordo com Rohden, o evento foi um acontecimento extremamente importante para a cidade de Belém. “Com a realização da COP 30 a cidade ganhou em um ano aquilo que levaria 40, 50 anos para ganhar. A cidade foi renovada, atualizada, modernizada, em vários sentidos, muitos prédios históricos resgatados, as docas foram restauradas, o que vai acabar impulsionando o turismo”, destacou. 

A COP no Brasil 
Durante a COP30, o Brasil foi protagonista, por estar sediando o evento e por causa das questões relativas à Amazônia. O fato da conferência acontecer em meio à Amazônia, deixou o debate menos teórico, a discussão sobre a Amazônia e a questão climática menos abstrata. Para Rohden foi importante os organismos internacionais, verem a realidade, a degradação da natureza e a pobreza, em contraste com a riqueza e beleza, que também estavam presentes no local. O professor acredita que esse movimento possa gerar um cuidado maior com relação à Amazônia. “Nesse sentido, eu acho que uma coisa muito importante foi a discussão sobre questão climática, ela foi uma discussão internacionalizada, porque havia representações políticas, de agências, de ONGs e de projetos do mundo inteiro presentes, menos dos Estados Unidos, o país que mais polui o mundo hoje, junto com China, mas é o que menos se compromete com essa realidade”, lamentou.  

Na perspectiva de Rohden, uma das questões mais relevantes da COP 30 foi o fato de ela ter acontecido no coração da Amazonia. “O mundo viu de perto a beleza, a riqueza e a urgência de cuidar a Amazônia e se ater mais às questões climáticas desastrosas. O espaço em que o encontro aconteceu foi fundamental para discussão internacional sobre aquecimento global, desertificação, poluição rios e mares”, argumentou.  Para o pesquisador, foram duas COPs. A Cop oficial, das discussões entre órgãos internacionais que defendem e promovem sustentabilidade, e a Cop dos povos, que acontecia paralela, nas ruas, com indígenas, populações ribeirinhas e reivindicação do direito dos donos legais das terras que estão sendo usurpadas e destruídas. 

Entre as maiores contradições do evento, Rohden destacou o discurso político sem eficácia das edições anteriores, uma vez que não atingimos as metas de redução de gases e que houve pouca contribuição para minimizar crescimento do calor. 

Educar Crescer na COP 30 

Os debates trazidos pelo evento e as conexões feitas na COP reforçaram que o projeto está no caminho certo. “Conscientização, sensibilização, ação e transformação socioambiental. Diante de tanta resistência e discursos políticos sem efetividade, nós estamos contribuindo. Estar presente na COP 30 efetiva o compromisso socioambiental da Petrobras e da Unisinos nas comunidades vulneráveis”, enfatizou. 

De acordo com o coordenador do projeto, participar da COP 30 foi muito importante para conseguir articular e efetivar pesquisas sobre questões climáticas e justiça socioambiental com realidades concretas. “Nós estamos fazendo o que é possível ser feito na nossa região, na nossa realidade. Estamos transformando vidas do ponto de vista socioambiental, coisa que, muitas vezes, na COP se questiona e acaba sendo só uma discussão, uma conversa de gabinete, em lugares bonitos com ar-condicionado e nenhuma prática concreta. O nosso projeto realiza um compromisso que a gente tem como meio ambiente. A Unisinos e a Petrobras estão comprometidas. Isso resulta em uma contribuição efetiva, articulando graduação, extensão, pós-graduação e pesquisa, o que prova o nosso compromisso ético com uma justiça socioambiental”, finalizou.