Por Michelli Machado
A ação do projeto Plantar reuniu professores e alunos bolsistas das escolas EMEJA Anísio Teixeira, EMEF Professora Nancy Pansera e EMEF Paulo Freire para aprender a lógica da natureza com foco na sustentabilidade de longo prazo. O encontro aconteceu nessa quinta-feira, 16 de abril e reuniu cerca de 20 participantes em Esteio e Canoas.
A atividade apresentou o conceito de agrofloresta e propôs transformar as escolas em laboratórios vivos de sustentabilidades. O engenheiro agrônomo, Jefferson Mota, integrante da equipe do Projeto Plantar, liderou uma oficina prática de agrofloresta e apresentou o cultivo de alimentos pensando na lógica da natureza.





A lógica da natureza no espaço escolar
O tema central da oficina foi a agrofloresta: um sistema que imita o funcionamento das florestas naturais para produzir comida. Diferente da agricultura convencional, o foco aqui é o bem-estar das plantas e a diversidade biológica. Em uma área de aproximadamente 100 metros quadrados, Jefferson explicou como as árvores podem conviver harmonicamente com cultivos anuais, como milho, mandioca, batata-doce e hortaliças. “A ideia é apresentar o cultivo de alimentos pensando na lógica da natureza. Queremos que as pessoas entendam que as plantas precisam estar em locais específicos, com sombra ou sol, para produzirem bem. Cada espécie tem uma função durante o tempo em que ocupa esse espaço”, destacou o agrônomo.
Diferente de uma horta comum, a agrofloresta é pensada para durar. O planejamento apresentado projeta o desenvolvimento da área para os próximos 20 anos. O que começa hoje com hortaliças e cultivos de ciclo curto, no futuro se transformará um sistema produtivo complexo, capaz de oferecer frutas, café e até madeira para construção ou lenha.
De acordo com o coordenador do Plantar, Victor Valiati, além do plantio direto no solo, a escola também contará com uma estufa para a produção de mudas, garantindo a autonomia e a continuidade do ciclo de cultivo pelos próprios colaboradores e pela comunidade escolar. “Qualquer projeto tem que ter um ponto de partida. Essa oficina teve a intenção de demonstrar aos participantes a dinâmica do processo que eles vão operar como um todo. Desde o início da preparação do espaço até as plantações. Entender a dinâmica do funcionamento de um sistema agroflorestal é essencial para quem vai ajudar a realizar esse trabalho”, explicou.





Tecnologia e Didática: a “Agroflorestinha”
Para facilitar a compreensão desse crescimento ao longo das décadas, Jefferson utilizou uma metodologia inovadora: a “Agroflorestinha”. Trata-se de uma maquete dinâmica, equipada com ímãs, que permite simular em tempo real as transformações que o espaço sofrerá ao longo de 20 anos.
Com essa ferramenta, os participantes puderam visualizar como o pequeno espaço de 100 metros quadrados poderá abrigar tamanha biodiversidade. O objetivo é que a experiência na EMEF Anísio Teixeira sirva de inspiração para que os educadores e funcionários levem esses conhecimentos para outros locais, multiplicando o impacto ambiental e social do projeto.


Dimitrius Machado, professor de Artes da EMEF Professora Nancy Pansera diz que o desafio é adaptar o conhecimento recebido na oficina à realidade da escola. “Na Nancy temos uma horta pequena, é um espaço bem restrito, mas pensar a diversidade que ela pode oferecer é interessante. Quero falar sobre os aprendizados com as professoras que também estão nesta atividade para relatar na escola e conseguir desenvolver ações junto com os alunos, adaptando o conteúdo para cada área”, afirmou.

A oficina de agrofloresta deixa claro que a escola é o terreno mais fértil para o plantio de ideias inovadoras. Mais do que revitalizar espaços físicos, o encontro capacitou multiplicadores que levarão a lógica da abundância e da diversidade para dentro das salas de aula. Agora, o desafio de educadores e alunos é ver a teoria ganhar vida, transformando o cotidiano escolar em um lugar mais verde.
